04/02/2010 11:51
SAÚDE
ESTRESSE, UM ADVERSÁRIO DE PESO
Reprodução
Os sintomas do estresse no atleta
Rachel Vargas

A cena é clássica nas partidas da Seleção Brasileira de vôlei. O técnico Bernardinho berra, morde as mãos, gesticula, soca o ar, enfim, demonstra sinais de estresse que parecem não ter fim. O fato é que, assim como o técnico, milhares de atletas e profissionais do esporte convivem diariamente com as emoções oriundas da alta competitividade. Sejam em profissional ou amador, os sintomas e as consequências resultam sempre da pressão e da cobrança nesse meio.

E quando o emocional se torna um adversário a mais, a performance do atleta fica comprometida. Daí, surge a vontade de não entrar nas disputas ou até mesmo de abandonar o esporte de vez. Os sintomas, no entanto, podem ser controlados. Segundo Geison Isidro, psicólogo clínico e esportivo, a competição se torna o principal motivo do estresse, já que aumenta o desgaste físico e psíquico do atleta e, às vezes, até se torna uma ameaça. “O esporte é uma condição que implica em pressão, principalmente os que têm como objetivo o alto rendimento”, explicou. “A cobrança pelo resultado, a pressão dos patrocinadores e a ameaça de perder um jogo ou uma oportunidade levam a um desgaste psicológico acentuado.”

Nos times sub-17 e sub-19 de basquete da Lance Livre, uma psicóloga acompanha os atletas desde o ano passado para ajudar os jogadores a controlar o emocional. Estudantes e, ao mesmo tempo, atletas, eles vivem um momento em que as cobranças ocorrem de ambos os lados. Para diminuir a preocupação e ajudar a equilibrar o lado psicológico, Mariana Moura não só acompanha os jogos, como também frequenta os treinos. “Sempre falo para eles que a emoção vai existir, e o que a gente deve é intervir na forma de controlá-la”, explicou. “O jogador sabe que antes de um torneio importante vai surgir o estresse. Eu ensino a controlar essas emoções.”

Felipe Vastim, 18 anos, admite que a presença da psicóloga o ajudou a ter mais equilíbrio nos duelos. “Ela dá uns toques para esquecer os problemas, estar sempre melhor e não errar. Dá mais tranquilidade”, contou. O mesmo foi observado por Renato Fogaça, que sempre que errava alguma cesta ou passe, perdia a confiança e desistia de tentar de novo. “Eu me cobro demais, e ela ajudou a diminuir o estresse, a ter mais coragem.”

Dentre as orientações da psicóloga está o autoconhecimento. Ou seja, o atleta deve se avaliar para saber o que o ajuda na redução do nervosismo. Escutar uma música ou até isolar-se são algumas das dicas que propõe. Mas, principalmente, é preciso ter confiança. “O atleta tem que entrar (na competição) com uma postura otimista e com o pensamento positivo.”

Consultas para desestressar

Por quatro anos, o nadador Glauber Silva recorreu às sessões de terapia para tentar diminuir o nível de estresse antes das competições. “Eu ficava muito tenso no balizamento. Tremia e suava de nervoso. Resolvi procurar ajuda, porque não conseguia controlar a emoção”, afirmou. “Em vez de motivação, tinha preocupação.”

Glauber, 23 anos, admite que as consultas foram fundamentais para atenuar o problema. E, ao contrário de muitos atletas, ele descobriu que ter a mãe ao lado é uma das formas de evitar o nervosismo. “Acho que amadureci bastante, não fico mais nervoso. Mas confesso que a presença da minha mãe nas competições ajuda muito”, disse. “Saber que tem alguém em que confio do meu lado é muito importante.”

Mas para Geison Isidro, os pais, muitas vezes, são os principais responsáveis pelo estresse dos filhos, já que, frustrados, depositam nos pupilos toda a expectativa de transformá-los nos atletas que eles não conseguiram ser. “No geral, a expectativa dos pais é o que mais atrapalha. Eles criam a expectativa de que os filhos vão ser os maiores do mundo e começam a colocar na cabeça do menino de 11 anos uma necessidade de competir absurda”, ressaltou.

Mas essa condição pode ser diferente de acordo com a forma como a criança for orientada. Para Ronaldo Pacheco, educador físico especializado em psicologia esportiva, a maneira como se lida com a competição vai determinar o nível de estresse do jovem atleta. “Tudo vai depender de como ele interpreta a situação. Se ele vê o jogo como um desafio, o estresse é menor. Se for como ameaça de perder ou ganhar algo, já tende a se preocupar mais.”

Autor: Swim It Up! Clipping
Notícia publicada em Correio Braziliense

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